BLOCO DE.MODA - COM Wagner Penna
MODA & CINEMA
BLOCO DE.MODA
Wagner Penna
MODA & CINEMA
Os tapetes vermelhos (red carpets) que marcam as entradas das grandes premiações do cinema mundial, nem sempre tiveram o peso estratégico que possuem hoje. Durante décadas, foram apenas extensões cerimoniais desses eventos, com foco mais no protocolo do que na construção de imagem.
Essa lógica começa a mudar nos anos 1990, quando celebridades passam a se associar formalmente a grandes maisons e surgem os primeiros contratos de exclusividade. Um marco simbólico é a consolidação do Oscar como vitrine global de moda nesse período, impulsionada pela televisão e, depois, pela internet.
A virada definitiva acontece nos anos 2000, com a profissionalização do styling e a entrada massiva das marcas no jogo de visibilidade. A partir daí, cada aparição passa a ser pensada como campanha. Hoje, o red carpet é uma engrenagem central da indústria — capaz de reposicionar marcas em uma única noite.
Não por acaso, a presença da editora de moda Anna Wintour no palco do Oscar 2026 simboliza essa transformação. Moda e entretenimento deixaram de ser universos paralelos para operar de forma integrada e estratégica. Vestidos, joias e styling não são mais escolhas isoladas, mas decisões calculadas, com impacto direto em desejo, narrativa e mercado. O tapete vermelho virou mídia global — e talvez a mais eficaz da moda contemporânea.
VAIVÉM
*** Na entrega do Oscar, o tapete vermelho segue como o maior palco global da moda, onde narrativa e imagem caminham juntas. Este ano, chamou atenção a força das maisons clássicas: vestidos estruturados da Dior e silhuetas dramáticas da Dior, Valentino, Schiaparelli e Chanel dominaram. Atrizes apostaram em styling mais autoral, com joias vintage e menos “look de showroom”. A Gucci apareceu renovada, com propostas mais limpas e elegantes. Já a Louis Vuitton reforçou sua estratégia de embaixadoras com looks sob medida. No geral, menos exagero e mais construção de imagem — o red carpet como extensão da carreira.
** No Rio, o aniversário da Conspiração Filmes (no recém-restaurado Palacio Capanema) virou um interessante termômetro da conexão moda + cinema. Atrizes e criadoras circularam com peças de marcas autorais como Neriage e Helô Rocha, reforçando o valor do design brasileiro. Houve também espaço para a alfaiataria cool da À La Garçonne e vestidos fluidos da NK. Diferente dos grandes tapetes internacionais, aqui o styling é mais espontâneo e menos “blindado”. Mas nada é totalmente casual - tudo é pensado estrategicamente.
* PONTO FINAL: mas a grande referencia cine + moda (ou vice-versa) por aqui foi
o Golden Globe Rio (realizado dois dias após o Oscar, no Copacabana Palace), um evento que começa a se firmar como vitrine fashion importante. As atrizes equilibraram marcas internacionais e brasileiras, com destaque para PatBo, Versace e Saint Laurent. Recorreram ao styling mais ousado, com recortes e transparências, indicando uma tentativa de diferenciação frente aos eventos europeus. Nos pés, o grande destaque foram as sandalias da Arezzo - em suas diversas linhas para a proxima estação.
LEGENDA
Maria Fernanda Candido usa vestido Vivienne Westwood e jóias Tiffany no Oscar 26

FOTO: reprodução da web
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